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HISTÓRICO

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ESTADOS UNIDOS
O mesmo
impulso de missão espontânea fez o Metodismo em Virgínia e Maryland,
construiu rudes capelas de pau roliço, itinerou diversas das "Três
Colônias", e até despertou vocações entre jovens norte-americanos!
Pouco
depois, numa outra família de metodistas imigrantes da Irlanda, a Sra.
Barbara Heck estaria pressionando seu primo e pregador metodista,
Filipe Embury, a iniciar uma missão de proclamação em New York. Bem
mais para o norte, encontrava-se um jovem imigrante, Guilherme Black,
engajado na pregação leiga na Terra Nova, hoje parte do Canadá. Sim, a
conclusão é quase irresistível de que uma das qualidades do Metodismo
nos primórdios era o seu impulso missionário, o qual o levaria, de modo
próprio a muitas partes do mundo e, com tempo, faria do Metodismo um
movimento verdadeiramente mundial. Só alguns anos depois dos começos
mencionados é que, a pedido dos metodistas arrebanhados do Novo Mundo,
João Wesley e os metodistas ingleses enviaram obreiros à guisa de
missionários.
O metodismo norte-americano se transforma em igreja: a Igreja Episcopal
João Wesley destacou alguns dos seus melhores pregadores como missionários na América.
Embora tenha
ele os mandado para todos os locais mencionados acima, vamos ficar
agora só com o território que passaria a ser os Estados Unidos. Quando
Wesley começou a enviar obreiros para as colônias inglesas na América,
já estava bem adiantado o movimento de independência e, a partir de
1775, o movimento já tomava a foram de uma Guerra de Independência. Nos
oito anos de guerra, todos os missionários que Wesley havia enviado
voltaram, menos um, Francis Asbury. Asbury, que nunca mais voltou para
sua Inglaterra nativa, tornou-se um dos principais líderes surgido
durante os anos do conflito. Um fato curioso é que João Wesley, um
inglês, não apoiara o movimento de independência, o que gerava
suspeitas que os metodistas das colônias também não apoiavam-no, o que
não era verdade. Apesar desta dificuldade e desassossego causado pela
guerra, o número de metodistas aumentava rapidamente. Ao fim da guerra,
já contavam com uns 15.000 e mais de 80 pregadores. O próprio Wesley,
que não aprovara a revolução, agora deu pleno apoio na nova situação;
na realidade, ele preparou uma liturgia (baseado no Livro de Oração
Comum, o qual ele considerava a melhor liturgia do mundo) e ainda um
livro canônico (a Disciplina) e ordenou dois pregadores como
presbíteros e o Dr. Tomás Coke como "superintendente" para os
Metodistas na América.
Isto é, tomou
os passos para que os Metodistas na América se tornassem Igreja. Ele
tomou um outro passo nessa direção, chegando a nomear também Francis
Asbury como superintendente (ou seja, Bispo). Asbury, porém, reconheceu
o espírito da independência dos metodistas na América; daí ele só
aceitou a liderança mediante eleição pelos pregadores, e não nomeação
por Wesley, distante há tantos mil quilômetros!
Sim, por
volta de Natal, 1784, os pregadores se reuniram e, sob a direção de
Coke, fundaram a Igreja Metodista Episcopal (antes o metodismo
era movimento, não Igreja); elegeram Asbury, ainda leigo, Diácono,
Presbítero e Superintendente em três dias sucessivos; e, dos seus
parcos recursos humanos e financeiros, estabeleceram uma faculdade,
Cokesbury College (aproveitando os nomes de Coke e Asbury, os dois
"superintendentes" ou bispos) e mandaram missionários para Antiga e
Terra Nova, apesar do fato de só existirem pouco mais de 80 pregadores
metodistas no país. Assim nasceu a Igreja Metodista Episcopal, a menor
denominação no continente norte-americano; meio século depois era
destinada a ser a maior. Algumas das razões para isto se seguem:
A Igreja Metodista Episcopal descobre a "Fronteira"
Devemos
lembrar que os Estados Unidos, em 1784, era, na realidade, uma pequena
faixa de terra desde Georgia até Canadá no Norte, ao longo da costa do
Atlântico. Mas a população branca estava emigrando para o Oeste em
busca de novas terras. O Oeste sempre se afastava mais e mais, pois a
expansão territorial do país foi espantosa. Por compra, conquista
militar e compra e diplomacia, os Estados Unidos passaram a ser um país
de dimensões continentais em apenas 70 anos!
Certos
fatores fizeram com que os metodistas pudessem acompanhar a marcha para
o Oeste, ou seja, a fronteira, mais eficientemente que qualquer outro
grupo. Uma destas razões, sem dúvida, é o seu vigor espiritual e um
outro é a sua auto-imagem. Já em 1784, os 80 e poucos pregadores
metodistas reunidos na Capela de Lovely Lane em Baltimore haviam
concluído que Deus os colocou na América para "reformar o continente e
espalhar a santidade Bíblica por toda a parte". Sim, estavam imbuídos
de um profundo senso de missão, que os impulsionava.
Também
o tipo do ministério metodista era admiravelmente adaptado à fronteira.
O pregador metodista era chamado de circuito rider, ou seja, "cavaleiro
de circuito", sendo que seu circuito (paróquia) poderia Ter 30, 50 ou
mais lugares regulares de pregação. Assim, um pregador ordenado,
auxiliado por muitos leigos e leigas, atendia a uma grande área na
fronteira, esparsamente povoada. E, finalmente, os metodistas
aprenderam dos presbiterianos um tipo de evangelização muito apropriado
à fronteira, a camp meeting (reunião de acampamento), na qual famílias
vinham de consideráveis distâncias, de carroças, e acampavam durante
uma semana ou mais, assistiam pregação pelo menos três vezes por dia e
em que se realizavam conversões em grande número. Havia, muitas vezes,
manifestações emocionais; estas espantaram os presbiterianos, mas Bispo
Asbury via nos acampamentos "o tempo de safra" dos metodistas
O Metodismo Americano e a Escravidão
Hoje a
condenação da escravidão é universal; no Brasil veio sua emancipação
formal com a "Lei Áurea", e instaura-se agora uma luta sem trégua
contra o mal mais sutil do racismo. Mas outrora, poucas foram as vozes
que se levantaram contra a instituição, praticada no mundo inteiro. Os
primeiros escravos negros foram introduzidos em territórios que seriam
os EUA nos primórdios da colonização inglesa, a saber: 1619! Passou a
ser ponto pacífico que a agricultura nas colônias dependia do escravo.
O próprio Padre Antônio Vieira diria no mesmo século: "Sem Angola, não
há Brasil". Os primeiros a questionarem o sistema foram os "Amigos";
João Wesley também condenava a escravidão como uma "vilania execrável".
Ele não admitia, sob hipótese alguma, que um ser humano fosse dono de
um outro; daí escreveu contra a escravidão e encorajava Wilberforce na
sua luta no parlamento inglês contra o mal. Mas nas colônias
americanas, quem laborava nas fazendas de arroz eram os negros e,
apesar da Declaração da Independência (1776) afirmar como uma "verdade
auto-evidente" que todos foram dotados pelo Criador do Direito da
Liberdade, no novo país (EUA) a escravidão não foi abolida na época!
As
poucas vozes de protesto ao sistema não foram suficientes para levantar
a consciência da Igreja de modo geral; e, com o tremendo aumento da
produção do algodão, para a qual pensava-se indispensável o labor
negro, criou-se um argumento tanto filosófico como a Bíblia que
apresentava a escravidão não como um mal, senão como bem positivo! Foi
só de 1830 em diante que o movimento de abolição começou a crescer; e
nesta luta muitos metodistas participaram plenamente.
Mas a tragédia foi
que a Igreja como um todo não aderiu logo ao movimento. As grandes
denominações chegaram até a se racharem, resultado em Igrejas "do
Norte" e "do Sul". Isto atingiu o Metodismo em 1844 e nasce a Igreja
Metodista Episcopal, Sul.
No Norte do país,
freqüentemente os abolicionista metodistas eram também seus melhores
evangelistas; no Sul, infelizmente, a defesa da escravidão foi como uma
cunho, separando as coisas consideradas espirituais das seculares. Esta
infeliz dicotomia iria influenciar o pensamento e a ação das missões
destas Igrejas no Brasil (Metodistas, Presbiterianas, Batistas). Aliás,
parte do desafio para o Metodismo hoje é reapropriar a visão e a práxis
de Wesley.
Metodismo e a Educação
A Escola
Dominical nasce da educação popular organizada por Roberto Raikes, em
1780: Wesley apoiou enquanto muitos questionavam o uso do Domingo para
ensinar crianças a ler e escrever! Francis Asbury fundou uma das
primeiras Escolas Dominicais nos Estados Unidos.
Já
vimos como na "Conferência de Natal" a Igreja Metodista Episcopal
fundou Cokesbury College que, entanto, foi de curta duração. A partir
de 1820, quando o Concílio Geral permitiu a nomeação de itinerantes
metodistas como reitores de instituições de ensino, o Metodismo começou
a contribuir significativamente para a educação superior do país.
Demoramos em organizar seminários teológicos por causa do nosso
conceito de vocação e métodos de treinamento, a saber: o sistema de
aprendiz, pelo qual um jovem pregador aprendia o ofício acompanhando um
mais experiente no seu trabalho, e abundantes leituras. Brevemente,
porém, o Metodismo, ao lado de outras denominações, povoaria os EUA de
escolas de todos os níveis, inclusive o universitário. A escola
passaria a ser uma das mais evidentes contribuições às missões que
fundava em todos do continentes.
O Metodismo e as Missões
A era de
missões protestantes modernas foi inaugurada por William Carey,
batista, no final do século XVIII. Já vimos a ênfase missionária no
metodismo wesleyano. Apenas em esboço, vejamos como o metodismo na
América do Norte seguiu esta tendência:
A evangelização da Fronteira;
A evangelização de indígenas, a partir de 1820;
A evangelização de escravos negros, desde a mesma época;
Missões no além-mar, a partir da missão em Libéria, fundada em 1832.
Para refletir
Os metodistas
nos dias coloniais na América do Norte tiveram muita disposição para
acompanhar o povo nas fronteiras na sua marcha para o Oeste. A imagem
popular do pregador itinerante metodista se reflete nestas observações
atribuídas aos povos migrando para o Oeste:
"Os ministros
presbiterianos chegam até nós somente depois do término da construção
da estrada de ferro e o estabelecimento de horários regulares dos trens
em nossas aldeias. Os ministros da Igreja Episcopal chegam somente
depois de instalado o serviço de carro-leito nos trens. Os ministros itinerantes metodistas vêm junto com a gente a pé e a cavalo".
O que
significa isto para nós hoje? Conservamos este mesmo espírito
evangelístico hoje? Acompanhamos o povo nas suas migrações hoje?
Ministramos aos diversos grupos nas suas "fronteiras" hoje, tais como:
nas favelas, nas escolas, nas universidades, nos sindicatos, nos
parques industriais, nos pólos comerciais, nos conjuntos habitacionais,
na zona rural, etc.?
De que maneira que os Dons e Ministérios podem ajudar a igreja a recuperar o espírito evangelístico e o impulso missionário?
fonte: Momentos Decisivos do Metodismo Prof. Duncan Alexander Reily - Imprensa Metodista
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